Wednesday, August 29, 2007

Hope

O sangue passa em suas veias que atravessam todo o seu corpo. Do seus pequenos pes, as suas pernas velhas e cansadas, aos seus orgaos internos, aos seus bracos magros, ao seu pescoco, ao seu cerebro. Seu sangue passa pelo seu ser, pela sua materia. O seu coracao bate constantemente, sem nunca parecer cansar, fazendo circular seu sangue, a sua vida. Ela acordava todo os dias no mesmo chao, na mesma sujeira, encostada na mesma parede com rachaduras antigas segurando sua latinha com moedas imploradas. Ela passava o dia inteiro sentada com a cabeca baixa com a sua camiseta azul marinho escuro rasgada, e sua calca cinza suja, sempre descalca segurando a sua latinha. Ao escurecer, ia ao mercadinho mais proximo e comprava um pao. Ela fez isso durante quinze anos, ate que no dia trinta de marco ela acordava de manha com um brilho nos olhos: tinha sido um sonho. Ela resolvia se levantar, deixava sua latinha vazia no chao junto com o seu passado. Ela esperava o sinal vermelho se tornar verde, e atravessava a rua com um sorriso que tinha se esquecido ainda com aquele brilho nos olhos. Em questao de segundos, ela via nada que a escuridao que a fazia companhia todos esses anos deixando-a dessa vez sozinha: morreu.